Fico me perguntando que outra solução poderia ter sido dada ao caso Zelaya além de arrancá-lo de casa e jogá-lo de pijama para fora do país.
Pela Constituição hondurenha, até onde pude me informar, aquele que tenta a reeleição deve perder o mandato e ficar inelegível por 10 anos. Aquele que defender mudanças na lei para permitir reeleição deve perder a cidadania hondurenha. Como Zelaya fez as duas coisas, lhe caberiam as duas condenações.
O que poderia ser feito? Bem, definida a ordem judicial para depor o presidente, caso este se recusasse a renunciar poderia ser preso. Ou suas decisões serem simplesmente ignoradas - afinal, não seria mais o presidente. Perder os direitos políticos? Essa é fácil: era só não aceitá-lo mais como candidato nem como eleitor.
Perder a cidadania? Esse é um pouco mais complicado... O que se faz com alguém que perde a cidadania? Deportá-lo oficialmente? Teriam que encontrar algum lugar que o aceitasse, mas para isso teriam primeiro que encontrar um país que aceitasse a deposição. Deixá-lo viver no país como um ilegal seria patético. Talvez prendê-lo quem sabe, em prisão domiciliar mesmo, até que alguém se decidisse a acolhê-lo. Era uma alternativa.
Os poderes instituídos optaram por levá-lo o mais rápido possível para fora do país antes que alguém se desse conta e não aceitasse o abacaxi. Deixá-lo sozinho um minuto sequer seria dar margem a um telefonema de aviso que se converteria na não aceitação do desterrado no aeroporto de destino. Optaram pelo efeito surpresa.
Foi a melhor solução? Acho que não. Talvez tenha sido o tiro no pé do processo. O melhor talvez tivesse sido a prisão domiciliar.
Como ficou com cara de golpe militar (ninguém aparentemente lembrou que foi por ordem judicial), gerou repúdio internacional. Agora vai ser difícil provar que focinho de porco não é tomada.
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